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Oração de Março de 2014






  Ó Senhor, especialmente neste mês, temos muito que nos alegrar e agradecer. Mas uma alegria serena moldada no espírito da Quaresma, onde nosso jejum nos faça aprender a sensibilizar com os necessitados, nos ajude a controlar nosso maus desejos e nos discipline a uma grande ascese interior. Que os demais exercícios penitencias da quaresma como a oração, nos ajude numa intimidade maior com Deus, onde possamos irradiar desse encontro amoroso com o Senhor, no nosso dia a dia, muita luz para os nossos irmãos. Que a nossa caridade venha de encontro a toda a realidade de dor dos nossos irmãos.
            Esta quaresma nos desafia mais uma vez a Fraternidade. Não uma fraternidade fora do seu contexto, mas lamentavelmente numa situação gritante de desrespeito ao semelhante que é o tráfico humano. 
            Somos Libertos em Cristo, para buscar a libertação dos irmãos escravizados, manipulados, explorados dentro de nossa sociedade. Ajude-nos Senhor, nos dê força, pois sabemos que ouve o nosso clamor e assim podermos construir a Fraternidade entre nós. 
            São José interceda por nós, ajude as mulheres que celebram este mês o seu dia internacional a buscar sua libertação da dominação do machismo. Entremos no outono renovando nossas esperanças de libertação e dias melhores para todos.
            Senhor, colocamos nossa vida em suas mãos dispostos a construir fraternidade e continuar nossa luta na edificação do vosso reino. Amém!



Pe. Emanuel Cordeiro Costa
ORAÇÃO DO MÊS DE SETEMBRO DE 2013


       Alegramo-nos Senhor, pois em cada mês de setembro, somos chamados  a nos  dedicar mais diretamente a vossa palavra estudando-a, refletindo e buscando  nela a inspiração, o desejo e a vontade de sermos guiados diariamente por ela. 
 
      Neste ano em  que o mês da bíblia tem como tema: “Discípulos e missionários segundo o evangelho de Lucas” ajuda-nos a sermos discípulos autênticos no mundo de hoje. A abraçarmos a causa missionária como também nos pediu os bispos da vossa Igreja da América Latina, na Conferência de Aparecida.
      
  Que sendo discípulos e missionários segundo Lucas abramos o nosso coração ao ver o vosso Filho Jesus como ele aí se apresenta: humilde, que evangeliza os pobres, que liberta os cativos, cura os cegos.
      
 O lema do Mês da Bíblia deste ano nos diz: “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido” (Lc 15). Agradecemos a vossa imensa misericórdia para conosco senhor, alegrando com a ovelha perdida e foi encontrada. Queremos sempre te louvar por se alegrar com todos que se convertem. Ajudai-nos a sermos humildes e capazes de irmos crescendo a cada dia no amor, na fé e esperança. E com verdadeiro testemunho e vivência  cristã reconquistemos  aqueles que estão como ovelhas perdidas,  para que abram o coração para vós e encontrem a verdadeira alegria, que é viver no vosso amor.    
  
     Amém.
Pe. Emanuel Cordeiro Costa




                                                           ORAÇÃO DO MÊS DE AGOSTO

Como Igreja celebramos neste mês, o mês das vocações. Por isso, Senhor, queremos agradecer os inúmeros irmãos e irmãs que respondem sua vocação colocando – se a serviço do evangelho e dos irmãos. São os padres na vivência do seu pastoreio e profetismo, religiosos que vivem sua vocação consagrando suas vidas ao evangelho. São muitos os leigos engajados e comprometidos com a vossa igreja e o Reino. Queremos agradecer aos catequistas pela dedicação e amor com que  ajudam nossas crianças e os adultos a se educarem na fé. Queremos agradecer aos Ministros da Eucaristia que nos ajudam na distribuição do pão eucarístico aos irmãos e especialmente aos enfermos. E os inúmeros agentes de pastoral, cada um em sua pastoral, movimentos e serviços que vem ajudando os irmãos a viverem sua fé.
      
 Mas queremos te pedir para ajudar-nos a despertar aqueles que ainda não responderam a seu chamado. Pois, como vós mesmo dissestes, a messe continua grande e os operários poucos. Enchei-nos sempre do vosso espírito abrasador para queimar os corações mais quietos e acomodados e assim responderem a sua vocação.  
 
      Senhor, que com a vossa graça, cada vez  mais pessoas atendam aos vossos apelos e assim  sejamos e tenhamos uma igreja sempre mais ministerial para a edificação do vosso reino.
      
 Amém.

Pe. Emanuel Cordeiro Costa

Oração do mês de Julho de 2013

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       Senhor, já fizemos uma boa caminhada neste ano, já ultrapassamos meio ano do mesmo. Seis meses já se foram. E nele buscamos mais te amar e agradecer pelas realizações que estamos conseguindo fazer até aqui. E queremos pedir que continue nos abençoando, fortalecendo, iluminando para fazermos deste segundo semestre mais uma oportunidade de prosseguirmos bem na construção do vosso reino aqui.
       Sabemos que temos muito a fazer pelo reino. Não podemos acomodar. Pois o mundo ainda traz as marcas fortes do antireino. Sabemos também de nossas fraquezas, mas sabemos ainda mais da vossa misericórdia e que sempre nos dá o seu perdão que nos fortalece. Estende sempre a mão a cada um de nós especialmente nos momentos de dificuldades. E como com  Pedro não nos deixe em nossas fraquezas o mar da vida nos afogar.
       Pelo que construímos até aqui neste ano,  Senhor , possamos sempre nos motivar e perseverar no vosso amor, superando nossas fraquezas e limitações humanas, nossas imperfeições  e assim  crescer na fé e no amor em nosso caminhar.
       Amém

Pe. Emanuel Cordeiro Costa

Oração do mês de Junho de 2013

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        Grandes homens e mulheres que estão na vossa glória Senhor, celebramos neste mês. São os grandes santos e santas que celebramos  neste mês de junho, por isso , Senhor, ao contar com a intercessão destes nossos irmãos e irmãs buscamos também a nossa Santificação, agradecendo-o por nos dar tanto intercessores. Nos ajude a imitá-los e assim também nos santificarmos.
         Celebrando o Sagrado Coração de Jesus e Maria que tenhamos um coração grandioso e amoroso como os dois diante de nossos irmãos. Que o Bem aventurado José de Anchieta nos ajude com seu exemplo atender os apelos da Conferência de Aparecida, sendo missionários do reino hoje. Que Santo Antônio de Pádua nos faça amigos dos pobres e desvalidos de hoje, para que tenhamos um coração sempre caridoso com os irmãos. Que São João Batista que preparou os caminhos do Senhor nos ajude a endireitar nossos caminhos hoje,  e que sejamos testemunhas fiéis que  ajudemos a todos a encontrar o caminho que os conduzam a Cristo. Que São Pedro e o papa nos ajudem a zelar pela unidade da Igreja, a fim de que possamos sempre mais testemunhar Jesus Cristo como verdadeiros discípulos seus. E São Paulo nos ajude amar a palavra e abraçarmos com maior disposição a causa do evangelho como grandes missionários, como ele o foi.
         Mais uma vez Senhor, sabendo que atendeis no vosso amor os nossos intercessores que aprendamos viver seus exemplos e ensinamentos para buscarmos nossa santidade a cada dia.
         Amém.


Pe. Emanuel Cordeiro Costa

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 8
Caminhando em celebração

Leituras
Habacuc 3,17-19
Celebrando em um tempo de dificuldades
Salmo 100
A adoração a Deus na terra inteira
Filipenses 4,4-9
Alegrai-vos no Senhor o tempo todo
Lucas 1,46-55
O canto de Maria
Comentário
Caminhar humildemente com Deus é caminhar em celebração. O visitante que chega à Índia é surpreendido pelas agruras e lutas suportadas pelos dalits, mas também se depara ao mesmo tempo com o senso de esperança e celebração que eles têm.
Esperança e celebração acontecem juntas nas leituras bíblicas de hoje. O profeta Habacuc se alegra no Senhor num tempo de seca e colheita fraca. Tal testemunho de que Deus caminhará com seu povo nas dificuldades é uma celebração de esperança. A bendita Virgem Maria caminha até sua prima Isabel para celebrar a gravidez dela. Ela canta seu Magnificat como uma canção de esperança mesmo antes do nascimento da criança. E, na prisão, Paulo exorta a comunidade cristã de Filipos à celebração: “Alegrai-vos no Senhor o tempo todo.” Na Bíblia, celebração é algo unido à esperança na fidelidade de Deus.
O aspecto celebrativo da cultura dos dalits traz um testemunho semelhante a um evangelho de fé e esperança, forjado no cadinho da experiência dos dalits de luta por dignidade e persistente sobrevivência. Ao orarmos pela unidade cristã nesta Semana, nos voltaremos para a celebração de vida que vemos na Índia, focalizando a fidelidade dos dalits à sua identidade cristã no contexto de suas lutas pela vida. Nossa celebração para uma unidade entre cristãos que está ainda por ser conquistada acontece em meio a esperança e esforço. Está enraizada na esperança de que a prece que Jesus fez para que sejamos um será atendida no tempo e através dos meios que Deus desejar. Está enraizada na gratidão, porque a união é dom de Deus, e no reconhecimento da unidade que já experimentamos como amigos de Jesus, expressada num único batismo. Está enraizada na convicção de que Deus chama cada um de nós a trabalhar por essa unidade e de que todos os nossos esforços serão usados por Deus, confiando como São Paulo, que recomendou : “em toda ocasião, pela oração e pela súplica acompanhadas de ação de graças, apresentai a Deus os vossos pedidos.” A caminhada para a unidade cristã exige que andemos humildemente com Deus na celebração, na oração e na esperança.
Oração
Generoso Deus, que o teu Espírito encha nossas comunidades de alegria e celebração para que possamos nos regozijar pela unidade que já partilhamos e zelosamente continuar em busca da unidade visível. Alegramo-nos com a fé e a esperança de povos que se recusam a permitir que sua dignidade seja diminuída, vendo neles tua maravilhosa graça e tua promessa de liberdade. Ensina-nos a participar da alegria deles e a aprender de sua fiel perseverança. Renova nossa esperança e sustenta nossa decisão de caminharmos juntos no amor em nome de Jesus, erguendo uma voz unida em louvor e cantando juntos a mesma prece de adoração. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões;
Quais são as lutas por justiça na sua comunidade? Quais são as causas para celebração nessa caminhada?
§ Quais são os esforços para a promoção da unidade cristã em sua comunidade? Quais são as causas para celebração nessa caminhada?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 7
Caminhando em solidariedade

Leituras
Números 27,1-11
O direito de herança das filhas
Salmo 15
Quem será recebido na tenda de Deus?
Atos 2,43-47
Os discípulos tinham tudo em comum
Lucas 10,25-37
O bom samaritano
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que lutam pela justiça e pela paz. Isso coloca uma questão para aqueles que oram pela unidade dos cristãos nesta Semana: o que é a unidade que buscamos? A Comissão de Fé e Ordem, que inclui membros do Conselho Mundial de Igrejas e da Igreja Católica, compreende a unidade como “unidade visível numa só fé e numa só comunhão eucarística”. O movimento ecumênico se dedica à superação das barreiras históricas e atuais que dividem os cristãos, mas faz isso com uma idéia de unidade visível que liga a natureza e a missão da Igreja a serviço da unidade da humanidade com a superação de tudo que prejudica a dignidade dos seres humanos e nos mantém separados. A Comissão de Fé e Ordem declarou:
A Igreja é chamada e capacitada para partilhar o sofrimento de todos através da intercessão e do cuidado com os pobres, os necessitados e os marginalizados. Isso inclui análise e exposição crítica das estruturas injustas e o trabalho para a sua transformação... esse testemunho fiel pode envolver os próprios cristãos em sofrimento por causa do Evangelho. A Igreja é chamada e curar e reconciliar relações humanas quebradas e a ser instrumento de Deus na reconciliação, em situações de divisões humanas e de ódio. (Natureza e Missão da Igreja).
Há muitos exemplos de tais ações de cura e reconciliação por parte das Igrejas indianas. Até muito recentemente, as leis sobre a herança dos cristãos na Índia desconsideravam as filhas. As Igrejas apoiaram a exigência de abolir essa lei arcaica. A história das filhas de Selofhad, na qual Moisés se dirige a Deus em busca de justiça apoiando o direito das filhas, foi usada para exigir justiça para as mulheres. Assim, os cristãos dalits foram movidos por esse testemunho bíblico em suas lutas pela justiça.
Uma imagem bíblica da Igreja unida em solidariedade com os oprimidos é a parábola de Jesus sobre o bom samaritano. Como os dalits, o bom samaritano pertence a uma comunidade desprezada e excluída; ele é o único na história que se importa com o homem abandonado à beira da estrada e que proclama, através de sua ação solidária, a esperança e o consolo do Evangelho. A caminhada para a unidade cristã é inseparável do ato de caminhar humildemente com Deus em solidariedade com qualquer um e com todos que estejam necessitados de justiça e bondade.
Oração
Deus Uno e Trino, em tua própria vida nos ofereceste um modelo singular de interdependência, relações de amor e solidariedade. Dá-nos união para que vivamos nossa vida dessa maneira. Ensina-nos a partilhar a esperança que encontramos nas pessoas que lutam pela vida no mundo inteiro. Que a persistência delas nos inspire na superação de nossas próprias divisões, para que possamos viver em santa cooperação uns com os outros, caminhando juntos em solidariedade. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões
§ Quem, na sua comunidade, está tendo necessidade da solidariedade da comunidade cristã?
§ Que Igrejas estão ou já estiveram em solidariedade com suas necessidades?
§ De que maneiras uma maior unidade cristã visível poria em relevo a solidariedade cristã com aqueles que estão precisando de justiça e bondade no contexto em que vivemos?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 6
Caminhando além das barreiras

Leituras
Rute 4,13-18
Os descendentes de Rute e Boaz
Salmo 113
Deus, o socorro dos necessitados
Efsiosé 2,13-16
Cristo destruiu o muro da separação
Mateuos 15,21-28
Jesus e a mulher cananéia
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar além das barreiras que dividem e prejudicam os filhos de Deus. Os cristãos na Índia estão conscientes das divisões entre eles. São Paulo viveu no meio das devastadoras divisões que havia nas primeiras comunidades cristãs entre cristãos judeus e gentios. Diante dessa e de todas as barreiras subseqüentes, Paulo proclama que Cristo “é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. Em sua carne destruiu o muro de separação”. Em outro texto Paulo escreve: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais nem judeu nem grego; já não há mais escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher, pois todos vós são um só em Cristo.” (Gálatas 3, 27-28). Em Cristo, todas as profundas barreiras do mundo antigo – e de seus sucessores modernos – foram removidas porque na cruz Jesus criou em si mesmo uma nova humanidade.
Num mundo em que é difícil cruzar as barreiras religiosas, os cristãos, que estão em minúscula minoria no contexto multi religioso da Índia, nos relembram a importância da cooperação e do diálogo inter religioso. O evangelho de Mateus fala da difícil caminhada de Jesus – e de seus discípulos – para cruzar as barreiras de religião, de cultura e de gênero quando ele é confrontado por uma mulher cananéia que lhe suplica a cura de sua filha. O instinto visceral dos discípulos para mandá-la embora e a própria hesitação de Jesus foram superados pela fé dessa mulher e por sua situação de necessidade. Então, Jesus e seus discípulos foram capazes de ultrapassar as barreiras humanas e as fronteiras impostas pelo mundo antigo. Isso já está presente na bíblia hebraica. O livro de Rute, a mulher moabita de uma diferente cultura e religião, se encerra com uma lista dos descendentes que ela produziu com o israelita Boaz. Obed, o filho deles, foi o pai de Jessé, que foi o pai de Davi. Esses ancestrais do rei herói do antigo Israel refletem o fato de que a vontade de Deus pode ser cumprida quando as pessoas cruzam as barreiras da religião e da cultura. A caminhada com Deus hoje exige que cruzemos as barreiras que separam os cristãos uns dos outros e das pessoas que têm outros tipos de fé. A caminhada para a unidade cristã exige que andemos humildemente com Deus indo além das barreiras que nos separam uns dos outros.
Oração
Pai, perdoa-nos pelas barreiras de ambição, preconceito e desprezo que continuamente construímos e que geram separação dentro das Igrejas e entre as Igrejas, que nos separam das pessoas de outras crenças e daquelas que consideramos menos importantes do que nós. Que o teu Espírito nos dê coragem para cruzar essas fronteiras e para derrubar os muros que nos desconectam uns dos outros. Assim, com Cristo, queremos avançar para terreno desconhecido, levando a mensagem dele, que é de amorosa aceitação e unidade para o mundo inteiro. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões
§ Quais são as barreiras que separam os cristãos na sua comunidade?
§ Quais são as barreiras que separam os cristãos de outras tradições religiosas na sua comunidade?
§ Quais são as diferenças e semelhanças entre a caminhada para além das barreiras que separam os cristãos uns dos outros e a caminhada para além daquelas que estão entre o cristianismo e outras religiões?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 5
Caminhando como amigos de Jesus

Leituras
Cântico dos Cânticos 1,5-8
O amor e o ser amado
Salmo 139,1-6
Tu me buscaste e me conheces
3 João 2-8
Hospitalidade para os amigos em Cristo
João 15,12-17
Chamo-vos amigos
Comentário
Caminhar humildemente com Deus não significa caminhar sozinho. Significa caminhar com os que são aqueles sinais vitais da presença de Deus entre nós, nossos amigos. “Mas chamo-vos amigos” – diz Jesus no evangelho de João. Dentro da liberdade do amor, somos capazes de escolher nossos amigos e de ser escolhidos como amigos. “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi” – diz Jesus a cada um de nós. A amizade de Jesus com cada um de nós transfigura e transcende nossos relacionamentos com a família e a sociedade. Ela expressa o profundo e fiel amor de Deus por nós todos.
O poema de amor da Bíblia, o Cântico dos Cânticos, tem sido interpretado de várias maneiras, como o amor de Deus por Israel ou o amor de Cristo pela Igreja. Permanece como o testemunho de uma paixão entre amantes que transcende os limites impostos na sociedade. Quando a amada diz ao seu amado “Eu sou preta, mas bela” , suas palavras vem com o pedido “não vos incomodeis se sou morena”. Mas o amado a contempla e escolhe o amor, como faz Deus em Cristo.
O que o Senhor exige daqueles que caminham com Jesus e seus amigos? Na Índia isso é um chamado ás Igrejas para acolherem os dalits em igualdade como amigos do grande amigo que têm em comum. Esse chamado para ser amigo dos amigos de Jesus é um outro modo de entender a unidade dos cristãos, pela qual oramos nesta Semana. Cristãos do mundo inteiro são chamados a ser amigos de todos os lutam contra a discriminação e a injustiça. Caminhar para a unidade cristã exige que caminhemos humildemente com Deus como amigos de Jesus e com os amigos de Jesus.
Oração
Jesus, desde o primeiro momento de tua vida nos ofereceste tua amizade. Teu amor envolve todas as pessoas, especialmente as que são excluídas ou rejeitadas por causa de construções humanas a respeito de casta, raça ou cor. Cheios de confiança e animados pela afirmação de nossa dignidade em ti, possamos caminhar em solidariedade uns na direção dos outros, acolhendo-nos mutuamente no Espírito, como filhos de Deus. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões
§ Quem são aqueles, em suas comunidades, que Cristo chama para serem seus amigos?
§ Que impede os amigos de Jesus de serem amigos uns dos outros?
§ Como o fato de serem amigos do mesmo Jesus se torna um desafio para Igrejas divididas?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 4
Caminhando como filhos da terra

Leituras
Levítico 25,8-17
A terra é para o bem comum, não para lucro pessoal
Salmo 65,5b-18
O frutuoso derramamento da graça de Deus sobre a terra
Romanos 8,18-25
O anseio de toda a criação pela redenção
João 9,1-11
A cura feita por Jesus: lama, corpos e água
Comentário
Se vamos caminhar em humildade com Deus, precisaremos estar sempre conscientes de sermos, nós mesmos, parte da criação e receptores dos dons de Deus. Há no mundo de hoje um crescente reconhecimento de que uma melhor compreensão de nosso autêntico lugar na criação deve-se tornar para nós uma prioridade. Entre os cristãos, especialmente, há uma crescente consciência das maneiras pelas quais a preocupação ecológica é parte do “caminhar humildemente com Deus”, o criador; afinal, tudo que temos é dado por Deus na sua criação e, portanto, não é “nosso” para ser usado como quisermos. É por essa razão que, de 1 de setembro a 4 de outubro, os cristãos são chamados a observar o Tempo da Criação – uma prática que vem crescendo em muitas Igrejas. Em 1989 o Patriarca ecumênico Dimitrios I proclamou o dia 1 de setembro como um dia de oração pelo meio ambiente. O ano litúrgico da Igreja Ortodoxa começa nesse dia com uma comemoração da criação do mundo por Deus. No dia 4 de outubro, muitas Igrejas de tradição ocidental comemoram Francisco de Assis, o autor do Cântico das Criaturas. O começo e o fim do Tempo da Criação estão assim ligados com o cuidado pela criação nas tradições orientais e ocidentais da Cristandade, respectivamente.
A história cristã é uma história de redenção de toda a criação; é a própria história da criação. A crença de que, em Jesus, Deus se tornou uma pessoa humana, num tempo e num lugar específicos, é um dado central ao redor do qual todos os cristãos se unem. É uma fé partilhada na Encarnação que traz consigo um profundo reconhecimento da importância da criação – de corpos, alimento, terra, água e tudo o que sustenta nossa vida como pessoas no planeta. Jesus é totalmente parte deste mundo. Pode ser um pouco chocante ouvir que Jesus cura usando saliva e pó da terra; mas é coerente com esse real sentido do mundo criado como parte integrante da ação de Deus nos trazendo vida nova.
No mundo inteiro, a terra costuma ser trabalhada pelas pessoas mais pobres, que freqüentemente nem participam elas mesmas do frutuoso resultado; assim é a experiência de muitos dalits na Índia. Ao mesmo tempo, são essas comunidades que têm um particular cuidado com a terra, como se vê pela sabedoria adquirida na prática de lidar com a terra, que é visível no desenvolvimento de seu trabalho.
O cuidado com a terra inclui questões básicas sobre como os seres humanos devem viver dentro da criação, de um modo que seja o mais plenamente humano para todos. O fato de que a terra – com o trabalho que nela se faz e a sua posse – seja tão freqüentemente fonte de desigualdades econômicas e de práticas degradantes de trabalho é motivo de grande preocupação e clama por ação conjunta dos cristãos. O acordo no reconhecimento desses riscos de exploração no que diz respeito à terra é encontrado nas instruções do Levítico sobre o Ano do Jubileu: a terra e seus frutos não nos são dados para ser uma oportunidade para “levar vantagem uns sobre os outros”, mas o trabalho da terra deve trazer benefícios para todos. Isso não é apenas uma “idéia religiosa”; é algo ligado a práticas muito realistas de economia e negócios relacionadas ao modo como a terra é usada, comprada e vendida.
Oração
Deus da vida, nós te agradecemos pela terra e por aqueles que cuidam dela e fazem com que produza frutos. Pedimos que o Espírito, o doador da vida, nos faça reconhecer que somos parte da rede de relacionamentos da criação. Queremos aprender a valorizar a terra e escutar os lamentos da criação; ajuda-nos a seguir verdadeiramente os passos de Cristo, trazendo cura para tudo que fere a terra e garantindo uma justa partilha daquilo que ela produz. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz.
Questões
§ As leituras de hoje convidam os cristãos a uma profunda unidade na ação a partir de uma preocupação em comum com a terra. Onde pomos em prática o espírito do Jubileu, juntos, em nossa vida de cristãos?
§ Onde, em nossas comunidades cristãs, somos cúmplices de coisas que degradam e exploram a terra? Onde podemos trabalhar mais juntos, aprendendo e ensinando a reverência diante da criação de Deus?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 3
Caminhando para a liberdade


Leituras
Êxodo 1,15-22
As parteiras do Egito obedecem mais à lei de Deus do que às ordens do faraó
Salmo 17,1-6
A prece confiante de alguém aberto à contemplação de Deus
2 Coríntios 3,17-18
A gloriosa liberdade dos filhos de Deus em Cristo
João 4,4-26
A conversa com Jesus leva a mulher samaritana a um modo mais livre de viver
Comentário
Caminhar humildemente com Deus é sempre uma caminhada para acolher a liberdade que ele coloca diante de todas pessoas. Com essa mentalidade vamos celebrar. Celebramos o mistério da luta pela libertação, que ocorre mesmo em lugares onde a opressão, o preconceito e a pobreza parecem ser cargas insuportáveis. A decidida recusa humana em aceitar ordens e condições desumanas – como as que foram dadas pelo faraó às parteiras do povo hebreu escravizado no Egito – pode parecer um conjunto de pequenas ações; mas essas são geralmente as espécies de ação a favor da liberdade que estão acontecendo em comunidades locais por toda a parte. Essa decidida caminhada na direção de uma vida mais plena traz um dom de esperança evangélica para todas as pessoas que estão presas, de diferentes maneiras, dentro dos padrões de desigualdade do mundo inteiro.
A caminhada passo a passo para a libertação da discriminação injusta e das práticas preconceituosas nos vem através da história do encontro que Jesus tem à beira do poço com uma mulher da Samaria. Aqui temos uma mulher que busca, acima de tudo, questionar os preconceitos com que se deparava, bem como achar modos de aliviar as cargas pesadas de sua vida. Essas preocupações são o ponto de partida de sua conversa com Jesus. O próprio Jesus se envolve na conversa com ela tendo por base tanto a sua necessidade de um auxílio prático (ele estava com sede) como a mútua abordagem dos preconceitos sociais que faziam esse auxílio parecer problemático. Passo a passo o caminho para uma vida mais livre é aberto diante da mulher, à medida que a realidade das complexidades de sua vida vai sendo percebida com mais clareza à luz das palavras de Jesus. Ao final essas intuições pessoais levam a conversação a um lugar em que aquilo que divide dois grupos de pessoas – o local onde deve ser feita a adoração- é ultrapassado. “Adorar em espírito e verdade” é o que é exigido; e aqui aprendemos a ser livres de tudo que nos impede de ter uma vida em comum, vida em sua plenitude.
Ser chamado para uma maior liberdade em Cristo é um chamado para uma comunhão mais profunda. As coisas que nos separam – tanto sendo cristãos em busca da unidade como sendo pessoas mantidas separadas por injustas tradições e desigualdades – nos mantêm cativos e escondidos uns dos outros. Nossa liberdade em Cristo é, no entanto, caracterizada por aquela nova vida no Espírito, que nos permite, juntos, estar diante de Deus com “rostos descobertos”. É nessa luz gloriosa que aprendemos a ver uns aos outros de modo mais verdadeiro, enquanto crescemos à semelhança de Cristo na direção da plenitude da unidade cristã.
Oração
Deus libertador, nós te agradecemos pela persistência e pela esperançosa fé daqueles que lutam pela dignidade e plenitude de vida. Sabemos que ergues aqueles que são derrubados e libertas os que são cativos. Teu Filho Jesus caminha conosco para nos mostrar a estrada para a autêntica liberdade. Queremos ser capazes de apreciar o que nos foi dado e ser fortalecidos para superar tudo que dentro de nós nos escraviza. Envia-nos teu Espírito para que a verdade nos liberte, para podermos proclamar com nossas vozes unidas o teu amor ao mundo. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões
§ Existem ocasiões, mesmo em nossas comunidades cristãs, em que preconceitos e julgamentos do mundo – a respeito de casta, idade, gênero, raça, educação – nos impedem de ver uns aos outros claramente à luz da glória de Deus?
§ Que passos pequenos e práticos podemos assumir, como cristãos unidos, na direção da liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8,21) , em nossas Igrejas e na sociedade mais ampla?
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
O QUE DEUS EXIGE DE NÓS?
(cf Miquéias 6,6-8)

DIA 1
Caminhando em conversação

Leituras
Gênesis 11,1-9
A história de Babel e o legado da nossa diversidade
Salmo 34,11-18
“Vinde escutar-me! O convite de Deus à conversação
Atos 2, 1-12
O derramamento do Espírito, o dom da compreensão
Lucas 24,13-25
Conversa com Jesus Ressuscitado na estrada
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar como pessoas que falam umas com as outras e com o Senhor, sempre atentas ao que ouvem. Por isso iniciamos nossa celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos refletindo sobre passagens da Escritura que falam da prática essencial da conversação. A conversação tem sido elemento central no movimento ecumênico, pois abre espaços para aprender uns com os outros, para partilhar o que temos em comum e para nossas diferenças serem ouvidas e atendidas. Desse modo se desenvolve uma compreensão mútua. Esses dons da busca pela unidade são parte do nosso chamado básico para responder ao que Deus exige de nós: através de uma conversa verdadeira, a justiça se faz e a bondade é aprendida. Experiências práticas de libertação no mundo inteiro deixam claro que o isolamento de pessoas que são forçadas a viver na pobreza é energicamente superado por práticas de diálogo.
A leitura de hoje do Gênesis e a história de Pentecostes mostram ambas algo dessa ação humana e de seu lugar no plano de libertação que Deus tem para o povo. A história da torre de Babel descreve primeiro como grandes coisas são possíveis quando não existe uma barreira de linguagem. No entanto, a história mostra que esse potencial é percebido como uma espécie de base para a auto promoção: “Conquistemos para nós um nome” é a motivação para a construção da grande obra. No fim, esse projeto leva a uma confusão de línguas; de aí em diante precisamos aprender o significado da nossa própria humanidade através de uma paciente atenção dedicada ao outro que é estranho para nós. É com o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes que a compreensão no meio das diferenças se torna possível de maneira nova, pelo poder da ressurreição de Jesus. Agora somos convidados a partilhar o dom de falar e ouvir, orientado na direção do Senhor e na direção da liberdade. Somos chamados a caminhar no Espírito.
A experiência dos discípulos no caminho de Emaús é uma conversa acontecendo no contexto de uma viagem em conjunto, mas também de perda e desapontamento em relação à esperança. Como Igrejas vivendo em vários níveis de desunião e como sociedades divididas por preconceitos e medo do outro podemos nos reconhecer aí. No entanto, é precisamente aí que Jesus escolhe entrar na conversa - não se colocando no papel superior de professor, mas caminhando ao lado dos discípulos. O desejo dele de ser parte de nossas conversas e nossa resposta ao querer que ele permaneça e fale mais conosco é que nos possibilitam um encontro vívido com o Senhor Ressuscitado.
Todos os cristãos sabem algo desse encontro com Jesus e do poder de sua palavra “ardendo em nós”; essa experiência de ressurreição nos chama a uma mais profunda unidade em Cristo. A conversação constante, entre nós e com Jesus – mesmo dentro de nossa própria desorientação – nos conserva a caminho, juntos na direção da unidade.
Oração
Jesus Cristo, proclamamos com alegria nossa identidade comum em ti, e te agradecemos por nos convidares a um diálogo de amor contigo. Abre nossos corações para participar mais perfeitamente de tua prece ao Pai para que sejamos um, de modo que, caminhando juntos, possamos nos aproximar sempre mais uns dos outros. Dá-nos a coragem de dar testemunho da verdade juntos e possa o nosso diálogo envolver mesmo aqueles que perpetuam a desunião. Envia teu Espírito para nos capacitar diante de situações de desafio em que a dignidade e a compaixão estão ausentes em nossas sociedades, nações e no mundo. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amém.
Questões
Onde praticamos verdadeira conversação, no meio das variadas diferenças que nos separam?
§ Nossa conversação está orientada para algum grande projeto de nosso próprio interesse ou para a nova vida que traz esperança de ressurreição?
§ Com que pessoas conversamos e quem não está incluído em nossas conversações? Por que?