DELICADEZAS DE PAULO 



Em janeiro deste ano, demos início às reflexões sobre a carta de Paulo – o Apóstolo, aos filipenses. Foi uma introdução aos vários temas que ele desenvolve para seus fiéis e queridos amigos e também para nós, hoje. Nela, Paulo expressa seu grande amor pelos filipenses e fala da alegria, do amor cristão, da firmeza que devem ter as qualidades excepcionais dos seguidores de Jesus Cristo. Com carinho de pai, Paulo os exorta a imitar os exemplos do próprio Jesus, que seguiu o caminho da humildade e da obediência a Deus Pai. Ele esclarece que esse caminho levou Jesus à morte na cruz, mas também o elevou à altíssima posição de “Senhor de todos” (2,5-11).

 Após a saudação em que Paulo, em nome também de Timóteo, saúda os moradores de Filipos, deseja-lhes “...a graça e a paz de Deus, o nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês”! Em seguida, deixa seu coração extravasar de bons sentimentos pelos filipenses e escreve: Sempre que penso em vocês, eu agradeço ao meu Deus. E, todas as vezes que oro em favor de vocês, oro com alegria, por causa da maneira como vocês me ajudaram no trabalho de anunciar o evangelho, desde o primeiro dia até hoje. Pois eu estou certo de que Deus, que começou esse bom trabalho na vida de vocês, vai continuá-lo até que ele esteja completo, no Dia de Cristo Jesus. Vocês estão sempre no meu coração. E é justo que eu me sinta assim, a respeito de vocês, pois vocês têm participado comigo desse privilégio que Deus me deu. É isso o que vocês estão fazendo agora que estou na cadeia e foi o mesmo que fizeram quando eu estava livre para defender e anunciar com firmeza o evangelho. Deus é testemunha de que estou dizendo a verdade, quando afirmo que o meu grande amor por todos vocês, vem do próprio coração de Cristo Jesus (Fl 1,3-8).

 Essas palavras de Paulo chegam a nos comover, se pensarmos nesse homem que se deixou impregnar do amor a Cristo Jesus. Depois dos acontecimentos de Damasco, ele mudou completamente o rumo de sua vida, mas conservou a bravura do jovem destemido, que lutou por um extraordinário ideal: conquistar as pessoas e levá-las para Cristo. 

A entrega de Paulo a Cristo foi total, humilde, concreta, corajosa. Descartou preconceitos, conquistou liderança, cativou corações! Por amor a Cristo ele percorreu quilômetros por terra e por mar, para levar os ensinamentos de Jesus a todos os povos. Mereceu o nome de apóstolo sem ter pertencido ao grupo dos doze, e sim pelo seu trabalho incansável, em resposta ao chamado pessoal e direto, feito pelo próprio Filho de Deus. O zelo de Paulo na defesa de sua crença, antes de sua conversão, caiu por terra, e ele, de cabeça erguida, defendeu suas atitudes e levou inúmeras pessoas para Cristo. Paulo centrou a sua pregação na pessoa de Jesus e, sobretudo, amoldou os sentimentos do coração e transformou a mente nesta direção.

 Paulo adota uma postura de carinho, de amor, de ternura e de simplicidade, diante da correspondência dos filipenses à sua pregação. Com sua postura missionária e seu carinho, Paulo conquistou a simpatia, o amor, a compreensão e a gratidão dos cristãos de Filipos. Os laços de amizade que os une, tem raízes profundas no amor a Cristo Jesus. A gratidão de Paulo pelo bem recebido, os incentiva a guardar a fé e a dar provas de adesão sincera e profunda aos seus ensinamentos. E a vivência do amor leva os filipenses a socorrer a Paulo também em suas necessidades materiais. 

Paulo se comove como a mãe que recebe carinho de seus filhos em qualquer idade. Ele agradece a visita de Epafrodito e a ajuda recebida da comunidade e intercede por todos eles: O que eu peço a Deus é que o amor de vocês cresça cada vez mais e que tenham sabedoria e um entendimento completo, a fim de que saibam escolher o melhor. Assim, no dia da vinda de Cristo, vocês estarão livres de toda impureza e de qualquer culpa. A vida de vocês estará cheia das boas qualidades que só Jesus Cristo pode produzir, para a “glória e o louvor de Deus” (1,9-11).
 A sensibilidade de Paulo pelo carinho dos filipenses nos emociona, pois ele está sofrendo necessidades na prisão, e todo gesto de carinho alivia o sofrimento. Mas, não foi apenas uma visita que ele recebeu e sim foi um gesto de amor e de compreensão pela caridade exercida. A comunidade se esmera em enviar ajuda monetária a Paulo. Ele se sente comovido e escreve abrindo seu coração ao agradecimento, pela compreensão das suas necessidades não só materiais, mas também pelo consolo em meio a tanto sofrimento. 

Certamente Paulo sente saudades da pregação, de suas andanças pelo mundo para falar de Jesus Cristo às pessoas. Ele desejaria estar em liberdade para continuar sua missão. Mas, está impossibilitado e é por meio de uma carta que ele evangeliza. Epafrodito terá muito que contar aos cristãos de Filipos, mas a carta de Paulo eternizará as palavras e os ensinamentos desse grande Apóstolo dos gentios. Seu carinho pelos filipenses atingirá as nações e assim, revelará ao mundo futuro a nobreza de seu coração, reconhecendo os sentimentos de amor e amizade dos cristãos, que lhe são agradecidos pelos benefícios de sua pregação. 

Que tal você ler na própria Bíblia, o início da carta aos Filipenses, a introdução e o primeiro capítulo até o versículo 11? Essa leitura reforçará a compreensão do texto de Dicas Bíblicas.


Responda:

A leitura de Fl 1,1-11 provoca em você o desejo de acolher às pessoas com abertura e compreensão?
Lendo os textos de Dicas Bíblicas sobre Paulo, você se sintoniza melhor com esse ardoroso Apóstolo de Jesus Cristo?

10º Domingo do Tempo Comum - 09 de Junho de 2013

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Ele veio devolver a vida

1ª Leitura: 1Rs 17,17-24; 
Salmo Responsorial: Sl 29(30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R/2.a.4b);
Segunda Leitura: Gl 1,11-19;
Evangelho: Lc 7,11-17


Situando-nos brevemente
         
Hoje, mais uma vez, nosso Deus, “fonte de todo o bem”, nos reúne e nos dá a graça de ouvirmos sua Palavra de vida e celebrarmos a Eucaristia. Ele nos fala com muito carinho e, com mais carinho ainda, nos oferece depois um banquete em memória da morte e ressurreição de Jesus. Por isso chamamos a Eucaristia também de “ceia memorial do Senhor”.
         Esta nossa reunião acontece num contexto mais amplo da vida da Igreja. Hoje, celebramos a memória do grande ‘apóstolo do Brasil’, o beato José de Anchieta. É bom também lembrar que estamos no mês de junho, mês das festas juninas, como a do popular Santo Antônio, celebrado na próxima quinta-feira, dia 13. Qual outro acontecimento importante poderia lembrar?...
         Agora vamos partilhar um pouco sobre a Palavra do nosso Deus que acabamos de ouvir. Tomara que, também nesta partilha, possamos sentir, de fato, a presença do próprio Jesus que nos explica as Escrituras.

Recordando a Palavra

         Estamos em Naim, um povoado da Galileia. Próximo, portanto, de Nazaré. Próximo também de Cafarnaum, aonde Jesus, como vimos domingo passado, curou o empregado daquele oficial romano, portanto um pagão, que acreditou em Jesus mais do que os judeus.
         É para o povoado de Naim que Jesus se desloca e, claro, os discípulos e “uma grande multidão” iam com ele. Podemos imaginar: uma verdadeira procissão!Apenas chegando ao povoado, eis que se depara com um cortejo fúnebre. Uma senhora viúva, ao lado do caixão, chorava copiosamente a perda de seu único filho. Jesus, ao ver a aflição daquela mulher, moveu-se de compaixão para com ela e lhe dirigiu uma palavra de consolo: “Não chore!”. Aproximou-se, então, e tocou o caixão. As pessoas que o carregavam pararam. Jesus emite uma palavra de ordem: “Moço, levanta-te”. O morto levantou-se, começou a falar, sendo então entregue por Jesus à mãe. Observemos um detalhe: o povo todo dali, que estava ao redor, ficou com muito medo e,ao mesmo tempo, dava glórias a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar seu povo”. Deus veio visitar o seu povo ! Evidentemente, a notícia logo se espalhou por todos os lados.    
         Encontramos histórias parecidas com esta, de um defunto, filho único de uma senhora viúva, voltar a viver, lá no século 8º antes de Cristo. Trata-se da história dói filho de uma viúva do povoado de Sarepta, generosa hospedaria do profeta Elias (cf. 1Rs 17,7-16). Tempo de seca. A situação do povo era grave. Para piorar, o filho daquela dona de casa morre (v. 17). Imaginam a situação daquela mãe: viúva e, agora, totalmente sem arrimo, e havendo possibilidade de os poucos bens do falecido passarem para as mãos de juízes gananciosos!... Consternada, com o filho morto nos braços, “se queixa contra o profeta. Ela supõe que a presença do homem de Deus, ali, tenha desenterrado as faltas dela, provocando a ira Deus, que pune o erro dos pais e filhos. Noção cruel de Deus (...). O profeta toma então o menino no colo, sobe ao piso, coloca-o na cama, suplica clemência para a viúva, e procede a um ritual estranho: deita-se três vezes sobre o menino e de novo suplica para que torne a viver. O profeta se mostra, assim, instrumento de vida, suplicando ao Deus da vida. E o menino revive”,. Elias desce, entrega o menino à mãe que diante do acontecido, muda completamente de ideia. Ela reconhece que Elias é realmente profeta por meio do qual se cumpre a palavra do Senhor. Diz ela: “Agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca”(v.24).
         Duas histórias parecidas falando da vida resgatada por Deus. Histórias que transformam corações despedaçados pela tristeza em corações cheios de conhecimento e gratidão, o que se reflete no Salmo 29 que hoje cantamos, cujo refrão soa assim: “Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livraste e preservastes minha vida da morte!”(v.2).
         Duas histórias parecidas, com conteúdos complementares. Enquanto, na história vivida em Sarepta, a viúva reconhece o profeta como “um homem de Deus” (v. 24), na história a ressurreição do jovem de Naim, Jesus é visto pelo povo como “um grande profeta que apareceu no meio de nós” e, na sua pessoa, “Deus veio visitar o povo”. O Evangelho o apresenta como sendo o próprio “Senhor” (cf. v. 13). É desse Senhor que Paulo nos diz que lhe foi revelado como Filho de Deus a ser anunciado aos pagãos, como vimos na segunda leitura.

Atualizando a Palavra
         Em Israel, no tempo de Jesus, a situação da mulher viúva era a pior que existia. Ela tinha que se “virar sozinha” para sustentar a si e aos filhos. Os filhos eram para ela a esperança de sua velhice. Agora, imaginem a situação e uma viúva cujo filho único vem a morrer. Pois bem, a Palavra de Deus nos conta hoje “como respectivamente Elias e Jesus ressuscitaram um filho de uma viúva: Elias, com muito trabalho; Jesus, com um toque de mão. Se Elias era um ‘homem de Deus”, um profeta, Jesus é o Senhor’, e o povo exclama: “Um grande profeta nos visitou! Deus visitou o seu povo’!”.
         Deus visitou o seu povo! E como o fez? Sabemos que “quando um governador ou presidente visita uma cidade, dificilmente vai para se ocupar com um cortejo que casualmente cruza seu caminho. Vai ver o prefeito, isso sim. Mas o filho de Deus se torna presente à vida de uma pobre viúva que está levando seu filho – sua esperança – ao enterro. Deus visita os pobres e os pecadores: a viúva, Zaqueu... Aqueles que são abandonados pelos outros. Em Jesus, Deus nos mostra o caminho que conduz aos marginalizados”.
          A divina Palavra nos mostra que o sistema de Deus é bem diferente do nosso. “Enquanto que nós gostamos de investir naqueles que já tem poder e influência, Jesus começa com aqueles que estão à margem da sociedade. O Reino de Deus começa na periferia. E revela-se um Reino de vida para os deserdados”.
         Há ainda mais outro detalhe. A visita de Deus leva o povo também a sentir uma natural responsabilidade: a “responsabilidade da gratidão. O que o povo fez? Ele espalhou a fama de Jesus por toda a região. Mostrou que soube dar valor à visita que recebeu. A Igreja terá de celebrar a mesma gratidão por Deus, que fez grandes coisas aos pequenos. Muitos ainda não são capazes disso. Não sabem se alegrar com a visita de Deus aos pequenos. Por isso lhes escapa a grandeza da visita. Mas, afinal, quando é que sentimos Deus verdadeiramente próximo de nós: ao se realizar uma grande solenidade, ou quando um gesto de amor atinge uma pessoa carente?”.

Ligando a ação com a Eucaristia
       
         Logo mais, durante a liturgia eucarística, louvaremos e bendiremos nosso “Pai misericordioso e Deus fiel” que nos deu “sei filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, que sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados”. Louvamos nosso Deus porque esse Jesus nos mostrou, com sua vida  e palavra, que temos um Pai que cuida de todos como filhos e filhas. Ao mesmo tempo, pedimos que o Senhor Deus, por seu Espírito, nos dê “olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs”; que ele nos inspire “palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos”;e que, “a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles”. E pedimos que a Igreja de Deus, que somos todos nós, “seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade se abra à esperança de um mundo novo”.
         Enfim, que Deus misericordioso, que por Jesus Cristo e seu Espírito vem curar nossos males, modele nossos corpos por esta Eucaristia, libertando-nos das más inclinações e orientando para o bem a nossa vida. Amém, irmãos, amém!
Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas
“Alegrai-vos comigo, encontrei o que havia perdido” (cf. Lc 15)

Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse:
"Não chores!"

Texto de Lc 7,11-17
     
Este relato da viúva de Naim encontra-se somente no Evangelho de Lucas. Tem estreita ligação com o episódio de Elias: a viúva de Sarepta e seu filho sintetizam a situação do povo. 
Ambos tratam da morte do filho único, cuja mãe é viúva. As viúvas, os órfãos e os estrangeiros representam a categoria de necessitados.

Jesus vai com seus discípulos para um pequeno vilarejo, que fica entre Cafarnaum e a Samaria, chamado Naim. Naim é uma cidade murada. Do seu interior, para a porta vem uma procissão, acompanhando o enterro do filho único de uma viúva. Dois grupos em sentido contrário encontram-se à porta da cidade. Jesus vê a situação em que se encontra aquela mãe e fica comovido “movido em suas entranhas”. É um profundo sentimento de amor e compaixão.
Jesus nos surpreende com sua compaixão. É Jesus que toma a iniciativa de ir ao encontro da viúva.  “Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse: Não chores!” A iniciativa de Jesus é provocada pela sua compaixão. A palavra de Jesus penetra no coração das pessoas. É Jesus que nos informa do sofrimento da mulher: “Não chores” e que o morto era um jovem. É da pessoa que sofre que Jesus tem compaixão. É o Senhor da vida que se dirige à viúva. O que importa não é a morte, nem o retorno à vida, mas que uma mãe viúva tenha perdido seu único filho. O retorno à vida não é o objetivo de Jesus, mas a consolação da mãe que chora. “E Jesus o entregou à sua mãe”.


“Não chores!”...
Ao aproximar-se da pequena cidade de Naim, Jesus fixa seus olhos numa mulher dilacerada pela desgraça: uma viúva só e desamparada, que acaba de perder seu filho único e que estão levando para enterrar. Ao vê-la, Jesus se comove. De seus lábios saem apenas duas palavras que devemos ouvir, do mais profundo de nosso ser, como vindas do próprio Deus: “Não chores!” Jesus aproxima-se de sua dor para trazer-lhe vida. Sempre é possível a esperança. Inclusive diante da morte.

Em Lucas as mulheres fazem a experiência de sentir um olhar diferente, um olhar de compaixão, de amor, de ternura. Jesus olha as mulheres de maneira diferente. Elas percebem um olhar que as acolhe, que as ama. Ele nota imediatamente a sua presença entre os ouvintes. Elas também precisam ouvir a Boa Notícia de Deus e partilhá-la com outras mulheres que não se atrevem a sair de casa, por causa do costume e do domínio do homem. Com uma sensibilidade nada habitual numa sociedade machista, Jesus tem o costume de falar explicitamente com as mulheres, tornando-as visíveis relevando sua atuação. 
Jesus se põe no lugar das mulheres e as faz protagonistas de suas parábolas: do fermento na massa, de um pai materno que corre abraçar seu filho, da ovelha perdida, da mulher angustiada que varre a casa para encontrar a moeda perdida. As mulheres sentem Jesus muito próximo como ele as ajuda a acolher sua mensagem. Deus está fazendo algo parecido com aquilo que elas fazem, ao produzir o pão:  introduzindo no mundo uma força transformadora.

Vamos refletir:
Como discípula (o) de Jesus, você já foi conforto e alento para alguém cheio de dor?
A partir do exemplo de Jesus, como você pode crescer na valorização da mulher?


Fonte:  
O caminho aberto por Jesus.  Pagola, Antonio José – pg. 136
Agenda Bíblica – Paulinas 2013
Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas
“Alegrai-vos comigo, encontrei o que havia perdido” (cf. Lc 15)
 
E enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao céu.

Texto de Lc 24, 46-53
 Lucas retoma a paixão e ressurreição “devia sofrer e ressuscitar” para confirmar a missão dos discípulos de anunciar e testemunhar em seu nome a “remissão dos pecados a todas as nações”. Levou-os até Betânia enquanto os abençoava foi elevado aos céus; os seus discípulos se prostraram, depois voltaram a “Jerusalém com grande alegria”.
É a Ascensão do Senhor que permite afirmar que Jesus, por sua ressurreição, está junto do Pai. Em Lucas o relato da Ascensão é precedido da promessa do envio do Espírito Santo e da missão confiada aos discípulos de serem testemunhas de Jesus Cristo.

O Cristo Ressuscitado continua a ter palavra e a ensinar os apóstolos, mas não de viva voz, e sim pelo Espírito Santo, que faz na comunidade dos discípulos a memória de Jesus, atualiza e esclarece suas palavras e move ao testemunho.

A Ascensão, antes de tudo é uma profissão de fé que visa responder à pergunta por onde e como encontrar o Ressuscitado elevado ao céu. O verbo “foi elevado”, indica que foi Deus, o Pai quem o elevou.  

“Uma nuvem o envolveu” (v.9). A nuvem, símbolo da presença de Deus.  Jesus entra no mistério de Deus; no que é seu, antes da criação do mundo. Os olhos da fé o veem perfeitamente e o coração dos que acreditam o acolhe com amor e gratidão. O Espírito Santo mantém viva a memória dos ensinamentos de Jesus, atualiza e esclarece as suas palavras e os move a darem testemunho do Crucificado e Ressuscitado, vencedor da morte. 


Os discípulos fazem a experiência pela ação do Espírito, a presença do Senhor podia e pode ser sentida e reconhecida em todos os âmbitos da vida. É no cotidiano da existência humana que o Senhor se deixa encantar. A sua “elevação” é sentida em todos os lugares e em todo tempo. Agora, a experiência se faz através da fé, a elevação de Jesus não é sentida como ausência, mas como uma forma de presença. O fruto desta presença é a alegria: “Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria” (Lc 24,52).
 
“... erguendo as mãos, os abençoou”.
Seu gesto “os abençoava” está carregado de fé e de amor. Jesus deseja envolver os que mais sofrem com a compaixão, a proteção e a bênção de Deus. Jesus entra no mistério insondável de Deus e seus seguidores ficam envoltos em sua bênção. Jesus volta para seu Pai “abençoando” seus discípulos. É seu último gesto. 
Abençoar é desejar a alguém o bem do mais profundo de nosso ser, mesmo que nós não sejamos a fonte da bênção, mas apenas suas testemunhas. Quem abençoa os outros abençoa-se a si mesmo. A bênção fica ressoando em seu interior, como prece silenciosa que vai transformando seu coração, tornando-o melhor e mais nobre.

Em que eu gostaria de ser abençoado?
Como discípulo de Jesus, a quem eu gostaria de abençoar?

Fonte:  
O caminho aberto por Jesus.  Pagola Antonio José – pg. 358
Agenda Bíblica – Paulinas 2013

Oração do mês de Junho de 2013

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        Grandes homens e mulheres que estão na vossa glória Senhor, celebramos neste mês. São os grandes santos e santas que celebramos  neste mês de junho, por isso , Senhor, ao contar com a intercessão destes nossos irmãos e irmãs buscamos também a nossa Santificação, agradecendo-o por nos dar tanto intercessores. Nos ajude a imitá-los e assim também nos santificarmos.
         Celebrando o Sagrado Coração de Jesus e Maria que tenhamos um coração grandioso e amoroso como os dois diante de nossos irmãos. Que o Bem aventurado José de Anchieta nos ajude com seu exemplo atender os apelos da Conferência de Aparecida, sendo missionários do reino hoje. Que Santo Antônio de Pádua nos faça amigos dos pobres e desvalidos de hoje, para que tenhamos um coração sempre caridoso com os irmãos. Que São João Batista que preparou os caminhos do Senhor nos ajude a endireitar nossos caminhos hoje,  e que sejamos testemunhas fiéis que  ajudemos a todos a encontrar o caminho que os conduzam a Cristo. Que São Pedro e o papa nos ajudem a zelar pela unidade da Igreja, a fim de que possamos sempre mais testemunhar Jesus Cristo como verdadeiros discípulos seus. E São Paulo nos ajude amar a palavra e abraçarmos com maior disposição a causa do evangelho como grandes missionários, como ele o foi.
         Mais uma vez Senhor, sabendo que atendeis no vosso amor os nossos intercessores que aprendamos viver seus exemplos e ensinamentos para buscarmos nossa santidade a cada dia.
         Amém.


Pe. Emanuel Cordeiro Costa

Jesus se dá a conhecer pela fé - Carlos Alberto Contieri

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O capítulo 21 do evangelho segundo João é um acréscimo posterior. Estamos diante de mais um relato da aparição do Cristo Ressuscitado. Agora, às margens do mar de Tiberíades. Aparição, aqui, não deve nos induzir a erro, pois não é o órgão da visão que é exigido, mas a fé. Por isso, ao ouvir ou ler “aparição”, devemos compreender que “ele se dá a reconhecer”.
Depois da morte e ressurreição do Senhor, a vida dos discípulos continua. É na lida do dia a dia que o Senhor se faz sentir (alguns dos discípulos saem para pescar – cf. v. 3) e oferece os sinais de sua presença. Simão Pedro, que ao longo de todo o quarto evangelho não é propriamente o homem da fé, porque depende do “discípulo que Jesus amava”, será quem alguns versículos adiante dirá: “É o Senhor!” (v. 7).
O diálogo de Jesus com Simão Pedro (vv. 15-19) adquire, então, toda importância, pois se trata de fundar a missão de Pedro como “primeiro entre iguais” num mandato do Senhor: “Apascenta minhas ovelhas (cordeiros)” (vv. 15.16.17); “Segue-me” (v. 19). Porque essa missão lhe é confiada pelo Senhor, será necessário que Pedro o ame mais do que tudo.
É nesse sentido que deve ser compreendida a pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (v. 15).

Fonte: CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) Artigos bíblicos